parte I
mais uma tarde. sentado. desta vez em um táxi. um trânsito absurdo devora a grande sp. notícias. ficaram sabendo de uma invasão desconhecida lá pelos campos de marte. eu, no banco de trás de um veículo. à mercê dos olhares externos em meio ao congestionamento quase onírico; quase atordoante e claustrofóbico. os carros andam trechos de aprox. 5 metros após uma espera de 20 minutos. malditos trabalhadores. maldito capitalismo.
parte II
acordo. ainda estou sentado. aliás, no mesmo táxi. na mesma avenida. com os mesmos vizinhos. com a mesma sensação obtusa de olhar pros lados e ver carros e mais carros me olhando e dialogando entre si. como se uma reunião fosse ali planejada pelos automóveis. onírico. surreal. QUE PORRA É ESSA?. calma. preciso me estabelecer e pensar. minhas têmporas latejam. caralho, eu tô no banco de trás de um táxi indo para.. porra!... ok, estou indo... espere... para nenhum lugar! estou aqui dentro preso por um tão simples e banal motivo: por nada.
parte III
talvez tenha sido minha auto-estima. espancada há metros atrás. enfim. carros vem e vão. param. eles me seguem. chega. preciso sair daqui. abro a porta. me levanto. olho ao redor. bato a porta. caminho pelos corredores. paro. olho para trás. são meus vizinhos. eles abandonaram o veículo, como eu. e agora me olham. nem mesmo de soslaio. me encaram frontalmente sem dizer uma única palavra. torno a me virar, vejo o mundo em pé, mirando uma única pessoa cuja atenção é desviada pelos estouvados. é isso, estou fodido.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
inópia de amor
figuras à eternidade, teu belo e sutil olhar
tua face que alia termos à vida
teus dentes que mordem seus lábios
mordem como que a boca ensandecida
o desejo cada vez mais impetuoso
sinto o dever de sentar-se ao teu lado
o banco reserva lugar à dois
sento-me ao lado da moça do bálsamo perfumado
disfarço a admiração com um jornal à mão
minha existência resume-se a uma elegia
não percebes minha carência,
ó doce amante da burguesia?
tua face que alia termos à vida
teus dentes que mordem seus lábios
mordem como que a boca ensandecida
o desejo cada vez mais impetuoso
sinto o dever de sentar-se ao teu lado
o banco reserva lugar à dois
sento-me ao lado da moça do bálsamo perfumado
disfarço a admiração com um jornal à mão
minha existência resume-se a uma elegia
não percebes minha carência,
ó doce amante da burguesia?
sexta-feira, 23 de julho de 2010
histórias I
estava a pensar, se nascemos humanos psico-político-pensantes, por que não pensamos? pensamos, ainda que não pensemos o ideal, mas pensamos com nossas mentes psico-política-sociais. e por falar em sociabilidade,
ANTI-SOCIAL!,
era o que urrava minha voz da consciência, irritada com meus modos austeros e tímidos de interagir. como pensante, entrei em debate com minha personalidade e por fim,
ENLOUQUECI,
fui parar num manicômio trágico à beira do mar, que à noite recebia luzes fosforescentes da lua, bela lua, que me sussurrava aos ouvidos coisas que nem mesmo o seu Deus saberia interpretar. às vezes me debruçava sobre a janela única do meu quarto pintado de branco e com manchas na parede, e como pensador enlouquecia. repetia esse processo todos os dias, até a minha
MORTE,
que decretou então o fim da minha vida e da minha misantropia exarcebada e por aqui termino minha história. beijos e obrigado.
ANTI-SOCIAL!,
era o que urrava minha voz da consciência, irritada com meus modos austeros e tímidos de interagir. como pensante, entrei em debate com minha personalidade e por fim,
ENLOUQUECI,
fui parar num manicômio trágico à beira do mar, que à noite recebia luzes fosforescentes da lua, bela lua, que me sussurrava aos ouvidos coisas que nem mesmo o seu Deus saberia interpretar. às vezes me debruçava sobre a janela única do meu quarto pintado de branco e com manchas na parede, e como pensador enlouquecia. repetia esse processo todos os dias, até a minha
MORTE,
que decretou então o fim da minha vida e da minha misantropia exarcebada e por aqui termino minha história. beijos e obrigado.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
el niño
me despierto del sueño
un sueño hermoso
una nostalgia del amor
los prantos en la cuna
el niño se cae
y junto a ti, soy muerto
no me he sentido eso
es algo nuevo, triste
pero no mucho consolador
en esquinas llorando y buscando
su mano izquierda en la oscuridad
atiento a que pasa e me mira
desviando los ojos, la mirada
un sueño hermoso
una nostalgia del amor
los prantos en la cuna
el niño se cae
y junto a ti, soy muerto
no me he sentido eso
es algo nuevo, triste
pero no mucho consolador
en esquinas llorando y buscando
su mano izquierda en la oscuridad
atiento a que pasa e me mira
desviando los ojos, la mirada
segunda-feira, 12 de julho de 2010
boa noite
ele era um pequeno rei rosa na cidade sem nome. a pequena cidade sem nome possuia cerca de 86 bilhões de moradores. houve uma rebelião. nessa rebelião, se impôs o pequeno rei rosa de formato ignóbil.
motim interno. não-voluntariedade. é o fim.
86 bilhões desesperados, alguns pisoteados, explodidos, fodidos. o pequeno rei rosa (ironicamente porque na cidade sem nome era robusto) se atroou, chamou por ajuda ninguém ajudou.
'boa noite
hoje de manhã foi encontrado o cadáver (...)'
motim interno. não-voluntariedade. é o fim.
86 bilhões desesperados, alguns pisoteados, explodidos, fodidos. o pequeno rei rosa (ironicamente porque na cidade sem nome era robusto) se atroou, chamou por ajuda ninguém ajudou.
'boa noite
hoje de manhã foi encontrado o cadáver (...)'
quinta-feira, 1 de julho de 2010
desfoque
acho que necessito de você mais que tudo nesse momento tão sólido e bestial das nossas vidas perdidas entre o pó branco e a folha de maconha jogada sobre o mezanino preto & branco que compramos quando ainda nos amávamos durante as férias no Brasil dias depois de termos nos conhecido numa praça de Buenos Aires em dia de jogo argentina x espanha.
acho que te amo e não saberia dizer outra coisa que não fosse tentativas decadentes de realçar nosso amor errático e sentimental da outrora comumente apelidada de reflexo das nossas lembranças felizes nos tempos onde aprendíamos sobre nós mesmos num jogo de tabuleiro chamado 'amor'.
lembra-se de quando estávamos a caminhar pelo Pelourinho e você me dizia que nunca me deixaria na mão? da forma mais sutil e ingênua eu acreditava em você e dentro dos meus pensamentos me comunicava diretamente com meu coração que palpitava fortemente quando estava junto a ti e tudo se esvaiu como um desfoque.
acho que te amo e não saberia dizer outra coisa que não fosse tentativas decadentes de realçar nosso amor errático e sentimental da outrora comumente apelidada de reflexo das nossas lembranças felizes nos tempos onde aprendíamos sobre nós mesmos num jogo de tabuleiro chamado 'amor'.
lembra-se de quando estávamos a caminhar pelo Pelourinho e você me dizia que nunca me deixaria na mão? da forma mais sutil e ingênua eu acreditava em você e dentro dos meus pensamentos me comunicava diretamente com meu coração que palpitava fortemente quando estava junto a ti e tudo se esvaiu como um desfoque.
terça-feira, 22 de junho de 2010
éramos eu e você
olhando o horizonte e cativando ideias silenciosas, ouvindo somente nossos pensamentos pretensiosos e, afinal, pensando, sempre frente a frente com o pôr-do-sol decadente da bela vista a qual nos encontrávamos encarando. eu pensava em agarrar-te a mão, e você pensava que éramos amigos e nada mais. eu pensava em beijar-te, e você pensava em conversar. eu pensava no amor, você queria ir embora. só mais um pouco, eu insisto, o embaraço há de ajudar-me ao menos uma vez,
e pronto!, aperto firmemente sua mão finalmente, desvio meu olhar do poente e sigo-os em direção ao seu olhar, que por sua vez é escondido pelas pálpebras, as que escondem a verdade. meu coração palpita rápido, você respira fundo; aproximo minha boca da sua - fecho meus olhos como você - e encosto meus lábios aos seus. sinto meu coração parando, o miocárdio explodindo e uma felicidade contagiante invadindo minha percepção. éramos eu e você naquele romance nobre e (por que não?) imaginário.
e pronto!, aperto firmemente sua mão finalmente, desvio meu olhar do poente e sigo-os em direção ao seu olhar, que por sua vez é escondido pelas pálpebras, as que escondem a verdade. meu coração palpita rápido, você respira fundo; aproximo minha boca da sua - fecho meus olhos como você - e encosto meus lábios aos seus. sinto meu coração parando, o miocárdio explodindo e uma felicidade contagiante invadindo minha percepção. éramos eu e você naquele romance nobre e (por que não?) imaginário.
domingo, 20 de junho de 2010
in the hot sun of a christmas day
dias após a morte de clara crocodilo
nasceu subitamente maria bethânia
bradou aos céus for 15 Steps
um leãozinho aproximou-se e disse
esse é o último romance
tire seu piercing do caminho
e is this it.
o dia do velório
i think i'm gonna be sad
ao som de the sound of silence
alan moore entristeceu
nasce uma estrela
boris grushenko morreu feliz
mas como, onde, o quê, como assim
como 2 ao cubo é 8 lados
geometria deltoriana
cigarros e cafés
bebidos e fumados por dentre
uma tarde sem valor
morte da criação brasileira
sabemos que você é um inútil
sem repúdio
ou quaisquer cracias
as bitucas exalavam o cheiro
a fumaça escondia nossa vergonha.
como se desesperadamente
chegasse como não quer nada
como se caísse
ou tropeçasse
no degrau da consciência
olho para mesa
vejo sangue derramado
um homem vomitando
sobre o leite esparramado
onde estará clara crocodilo
que sumiu, escapuliu?
morreu. the end.
nasceu subitamente maria bethânia
bradou aos céus for 15 Steps
um leãozinho aproximou-se e disse
esse é o último romance
tire seu piercing do caminho
e is this it.
o dia do velório
i think i'm gonna be sad
ao som de the sound of silence
alan moore entristeceu
nasce uma estrela
boris grushenko morreu feliz
mas como, onde, o quê, como assim
como 2 ao cubo é 8 lados
geometria deltoriana
cigarros e cafés
bebidos e fumados por dentre
uma tarde sem valor
morte da criação brasileira
sabemos que você é um inútil
sem repúdio
ou quaisquer cracias
as bitucas exalavam o cheiro
a fumaça escondia nossa vergonha.
como se desesperadamente
chegasse como não quer nada
como se caísse
ou tropeçasse
no degrau da consciência
olho para mesa
vejo sangue derramado
um homem vomitando
sobre o leite esparramado
onde estará clara crocodilo
que sumiu, escapuliu?
morreu. the end.
domingo, 6 de junho de 2010
São Paulo 34 graus
a tarde era ensolarada e fazia uns 34 graus na cidade de São Paulo. Avenida Paulista e pessoas caminhavam transpirando por dentro das camisas fétidas e molhadas e rindo. divertiam-se os pedestres, que caminhavam pela única pretensão de caminhar e explorar a então celebrada avenida, agora tomada por um calor absurdo, capaz de fazer desmaiar aqueles que são fracos. o proletariado regozijava do tempo livre e andava nos longínquos calçadões, os mais conhecidos (ou usufruídos?) de São Paulo, suando e rindo.
No meio desta multidão, lá estava Zé Abraão, fraco, senhor de idade que passeava com sua neta de cinco anos para mostrar-lhe a beleza de Sampa sintetizada numa única rua (mentira, ele fora obrigado pela cara filha tão querida e amada). "ah, mas que calor está fazendo!". andavam, andavam, conheciam e exploravam o território comercial, e os raios de sol batiam sobre a testa calva de Zé Abraão, que bradava sussurros maliciosos e comumente insultava sua própria mulher, então falecida.
e o sol não estava para Zé Abraão, que pediu para a garota que se sentassem um pouco. sentado, inspirou e expirou lentamente, suspirou e sussurrou coisas que a pequena ingênua não foi capaz de entender. ele passava mal; já não aguentava mais permanecer naquela situação, transpirando tanto que "o suor acumulado seria capaz de encher o oceano Atlântico", pensava o velho.
é uma conspiração, um hediondo desafeto à minha pessoa. logo declaro, disse alto e erguendo-se, que está declarada a guerra.
No meio desta multidão, lá estava Zé Abraão, fraco, senhor de idade que passeava com sua neta de cinco anos para mostrar-lhe a beleza de Sampa sintetizada numa única rua (mentira, ele fora obrigado pela cara filha tão querida e amada). "ah, mas que calor está fazendo!". andavam, andavam, conheciam e exploravam o território comercial, e os raios de sol batiam sobre a testa calva de Zé Abraão, que bradava sussurros maliciosos e comumente insultava sua própria mulher, então falecida.
e o sol não estava para Zé Abraão, que pediu para a garota que se sentassem um pouco. sentado, inspirou e expirou lentamente, suspirou e sussurrou coisas que a pequena ingênua não foi capaz de entender. ele passava mal; já não aguentava mais permanecer naquela situação, transpirando tanto que "o suor acumulado seria capaz de encher o oceano Atlântico", pensava o velho.
é uma conspiração, um hediondo desafeto à minha pessoa. logo declaro, disse alto e erguendo-se, que está declarada a guerra.
domingo, 30 de maio de 2010
les temps de l'amour
um dia, talvez uma semana ou ao mesmo um mês. tempo que corre, discorre, suscita, indigna, contrapõe, altera o mundo e quem no mundo habita. imprevistos amorosos são imprevistos peripécios do amor consequentes da ação do tempo sobre o mundo. ponto, continua na mesma linha. l'amour est un sentiment provoqué par hasard. pula uma linha; acaso, amor, tempo. síncope do amor, do tempo, ocasionado pelo acaso. quem dera eu poder fazê-lo. ou não fazê-lo; suscitá-lo (no caso, je suis un entremetteur). flecha manchada de sangue do amor que atravessa o coração do não-apaixonado indignado na contraposição do relógio pêndulo na parede cor de vermelho no mundo que eu/ele/nós/vós habito (a(amos(ais))). afinal, estamos numa nova realidade 'les temps de l'amour', ou estou enganado?
quinta-feira, 20 de maio de 2010
se...
eu assoprei a bexiga vermelha
olhei à minha volta
corri pela multidão
pulei como nunca tinha pulado antes.
felicidade pelos dias,
os dias escolares que acabaram
e as buzinas ecoavam pelo pátio
como ecos perdidos nas estalactites
que via os tais expoentes pulando
como nunca haviam antes.
sonho realizado por fim
e a explosiva alegria que contagia
abandonava pensamentos retesos
consequentes da geração x
que até então estudava
e agora pulava no pátio do colégio
difícil imaginar o que será de nós
o que seremos agora aqui
o que quererão de nós.
a certeza é que estamos livres
porém não tão livres
como nossa exaltação indica
enfim.
o fato é que estamos perdidos.
discursos austeros não agradam
os regozijos pedem silêncio
um momento a refletir
1 único minuto que abriga uma concepção
silêncio, silencio
ouvimos tiros
procuramos a origem do som
vejo meus amigos sentados ao telhado
com winchester's às mãos
e aponto aos anarquistas
cabeças se viram e são explodidas
caos.
correm os saltitantes
não sobra ninguém.
nem a bexiga vermelha que flutuava inocente foi poupada.
olhei à minha volta
corri pela multidão
pulei como nunca tinha pulado antes.
felicidade pelos dias,
os dias escolares que acabaram
e as buzinas ecoavam pelo pátio
como ecos perdidos nas estalactites
que via os tais expoentes pulando
como nunca haviam antes.
sonho realizado por fim
e a explosiva alegria que contagia
abandonava pensamentos retesos
consequentes da geração x
que até então estudava
e agora pulava no pátio do colégio
difícil imaginar o que será de nós
o que seremos agora aqui
o que quererão de nós.
a certeza é que estamos livres
porém não tão livres
como nossa exaltação indica
enfim.
o fato é que estamos perdidos.
discursos austeros não agradam
os regozijos pedem silêncio
um momento a refletir
1 único minuto que abriga uma concepção
silêncio, silencio
ouvimos tiros
procuramos a origem do som
vejo meus amigos sentados ao telhado
com winchester's às mãos
e aponto aos anarquistas
cabeças se viram e são explodidas
caos.
correm os saltitantes
não sobra ninguém.
nem a bexiga vermelha que flutuava inocente foi poupada.
terça-feira, 18 de maio de 2010
caso social/racial
Acordo desatento, simplesmente por levantar; a simbiose ou sei lá o quê do sonífero que me deram começa por fim a fazer minha cabeça. estou pelas surdinas detalhadas com latas de lixo embalsamadas pelo sangue jorrado na noite anterior. procuro meus companheiros - só acho um, ensanguentado e esparramado ao solo de concreto sujo e irregular do beco quase todo preto. a escuridão penetra pelas entranhas da sarjeta, num breu clareado por postes de luz que iluminam o resultado do conflito social/racial póstumo da noite anterior (ou pós-tragédia humana). meus amigos, todos mortos ou sumidos, foram vítimas do pré-conceito formulado por (des)humanos irracionais e filhas da puta, e eu agora só quero voltar para minha casa.
Saio do beco preto e vagueio pelas ruas de São Paulo. não sei onde estou (e sonolento, incapaz de pensar aonde moro ou qual caminho devo seguir), apenas vagueio cambaleante por algumas avenidas tomadas pelo caos da prostituição e da barbárie. sinto-me desnorteado, adoidado, alienado, morto.
não aguento mais.
então desabo a dormir,
podendo nunca mais acordar.
Saio do beco preto e vagueio pelas ruas de São Paulo. não sei onde estou (e sonolento, incapaz de pensar aonde moro ou qual caminho devo seguir), apenas vagueio cambaleante por algumas avenidas tomadas pelo caos da prostituição e da barbárie. sinto-me desnorteado, adoidado, alienado, morto.
não aguento mais.
então desabo a dormir,
podendo nunca mais acordar.
Assinar:
Postagens (Atom)
