parte I
mais uma tarde. sentado. desta vez em um táxi. um trânsito absurdo devora a grande sp. notícias. ficaram sabendo de uma invasão desconhecida lá pelos campos de marte. eu, no banco de trás de um veículo. à mercê dos olhares externos em meio ao congestionamento quase onírico; quase atordoante e claustrofóbico. os carros andam trechos de aprox. 5 metros após uma espera de 20 minutos. malditos trabalhadores. maldito capitalismo.
parte II
acordo. ainda estou sentado. aliás, no mesmo táxi. na mesma avenida. com os mesmos vizinhos. com a mesma sensação obtusa de olhar pros lados e ver carros e mais carros me olhando e dialogando entre si. como se uma reunião fosse ali planejada pelos automóveis. onírico. surreal. QUE PORRA É ESSA?. calma. preciso me estabelecer e pensar. minhas têmporas latejam. caralho, eu tô no banco de trás de um táxi indo para.. porra!... ok, estou indo... espere... para nenhum lugar! estou aqui dentro preso por um tão simples e banal motivo: por nada.
parte III
talvez tenha sido minha auto-estima. espancada há metros atrás. enfim. carros vem e vão. param. eles me seguem. chega. preciso sair daqui. abro a porta. me levanto. olho ao redor. bato a porta. caminho pelos corredores. paro. olho para trás. são meus vizinhos. eles abandonaram o veículo, como eu. e agora me olham. nem mesmo de soslaio. me encaram frontalmente sem dizer uma única palavra. torno a me virar, vejo o mundo em pé, mirando uma única pessoa cuja atenção é desviada pelos estouvados. é isso, estou fodido.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
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